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Conflito Saudável

Hallie e Ben Whitmore (BICF City Church - Pequim)

 

 

No artigo de ontem, nós mencionamos o mandamento bíblico de resolver conflitos. Jesus deixa bem claro que essa ordenança se aplica a nós não importa se somos os ofensores (Mateus 5:23-24) ou se somos ofendidos (Mateus 18:15).

Neste artigo, queremos oferecer algumas dicas práticas de como gerenciar conflitos. Não somos especialistas, a maioria do conteúdo que vamos compartilhar não é originalmente nosso, deixaremos uma lista dos recursos que mais nos marcaram nesse tema.


Nós demos a esse devocional o título de "Conflito Saudável” porque acreditamos que conflitos podem ser algo muito bom quando encarados de maneira correta. Se não fosse assim, Jesus não teria enfatizado a importância de que cada parte envolvida em um conflito se responsabilize em lidar com ele. A divergência pode servir tanto quanto uma oportunidade para demonstrar amor através de confissão e arrependimento, quanto para crescer em compreensão de si mesmo e da pessoa com quem se está lidando. A seguir, vamos compartilhar alguns dos princípios mais importantes para tratar conflitos de forma saudável.

 

Dois se tornam um
Se você nunca pensou no seu cônjuge como seu melhor amigo, ou mesmo como parte de você, comece agora. Casamento não é uma questão de conveniência, estabilidade financeira, expectativas sociais, nem feito para que você simplesmente se sinta bem. A vida matrimonial é o processo mais difícil pelo qual pode se decidir passar e, ao mesmo tempo, o mais recompensador de todos! Assim como o ouro é refinado pelo fogo, somos refinados ao aprendermos a amar e nos submetermos ao nosso cônjuge todos os dias. Não se pode ignorar um ao outro e viver vidas separadas – isso seria como viver com uma mão amarrada nas costas. Você e seu cônjuge são um, então usem este tempo e as dicas abaixo para começarem a trabalhar juntos em seus conflitos.

 

Se você não é casado, esses princípios também se aplicam a você. Como cristãos, somos chamados a nos submetermos e honrarmos uns aos outros independente do nosso estado civil. As amizades profundas e vidas enriquecidas que vêm como frutos da compreensão de como lidar bem com conflitos, não são um privilégio de pessoas casadas — são para todos!

 

Aquiete-se e saiba que Ele é Deus
Seu melhor amigo acabou de dizer algo que realmente te machucou, você se sente incompreendido, talvez até atacado. Você tem uma escolha: reagir no momento ou fazer uma pausa para se reconectar com a verdade. Aquietar-se!

 

Antes de responder, tire um momento e entregue a conversa ao Senhor. Peça para Ele o ajudar a falar de maneira pacífica. Peça a Ele para revelar qualquer coisa que precise ser admitida e tratada no seu próprio coração.

 

Se você não conseguir fazer essa pausa antes de entrar no conflito e as coisas tomarem um rumo indesejado, não se desespere. Tome um tempo para descansar e se preparar antes de tentar resolver as coisas.

 

Esclareça o que você ouviu ouviu
Muitas vezes, desavenças são frutos de mal-entendidos sobre o que o outro fez ou disse. Antes de responder, é bom separar um tempo para se certificar de que você interpretou as ações e palavras da outra pessoa corretamente.
Você pode começar assim: "Quando você disse que estava cansado de sempre lavar a louça, a minha interpretação foi que você acha que eu não estou contribuindo para os trabalhos domésticos. É isso mesmo?"

 

Ou, se a conversa parte do pressuposto de que o outro se sentiu ofendido por uma ação sua, você pode dizer: "Eu tenho uma teoria: quando você se levantou e, de repente, saiu da sala, foi porque eu fiz algo que te ofendeu. Foi isso mesmo?"1

 

Muitas vezes, fazer perguntas desse tipo pode ou te ajudar a perceber que não há conflito nenhum ou a ver que o conflito é bem menor do que você pensou que fosse.

 

Responsabilize-se pelo seu 1%

Há alguns anos, nós fomos a uma conferência na qual o preletor disse algo bem profundo: quando se está em um conflito, mesmo que você sinta que a outra pessoa tenha causado 99% do problema, você ainda assim precisa se responsabilizar pelo seu 1%.

 

Alguma vezes, assumir a responsabilidade por esse 1% (ou qualquer que seja a sua parcela) significa assumir sua contribuição no conflito, como ter esquecido de fazer algo que seu cônjuge te pediu para fazer ou ter respondido de forma sarcástica naquela conversa séria com seu amigo. Também significa admitir que você feriu a alguém, mesmo que tenha sido sem querer ou que você não consegue sequer imaginar que a sua ação tenha causado algum dano.

 

Em outros momentos, assumir seu 1% significa avaliar os seus pensamentos e sentimentos para verificar se você não está trazendo alguma bagagem emocional ao conflito. Talvez o que seu cônjuge disse ou fez tenha te lembrado de um conflito anterior e das emoções que este trouxe consigo. Dessa forma, você está trazendo ao presente a carga emocional de uma desavença passada. Talvez você se sinta triste porque o seu amigo te machucou e, ao mesmo tempo, se sente envergonhado porque acha que não deveria estar triste.

 

Quanto mais você conseguir identificar claramente e assumir sua parte no conflito, mais você terá cumprido sua responsabilidade de viver em paz com os outros (Romanos 12:18).

 

Mantenha a calma e siga descrevendo

O modo como você começa uma conversa tem um impacto significativo em como ela vai se desenvolver. Pesquisas mostram que "apenas 4% das conversas que começam de forma errada terminam bem."2 Iniciar um diálogo com raiva pode até mostrar ao outro o fato de que você está com raiva, mas ele provavelmente só vai conseguir entender o porquê da sua raiva se você escolher explicar em um tom de voz gentil ou pelo menos moderado.

 

O que você diz em uma conversa também influencia o grau de dificuldade ou facilidade que seu cônjuge ou amigo terá para assimilar e aceitar o que você quer dizer. Vamos comparar os exemplos a seguir:

 

Ex 1: Você não quer saber como foi o meu dia e por isso não para de olhar o celular durante o jantar! Nem esperar um pouco você consegue!

 

Ex 2: Quando você fica olhando para o celular durante o jantar, eu sinto como se você não quisesse saber como foi o meu dia ou passar tempo comigo. Será que você pode esperar até terminarmos de comer para usar o celular?

 

Talvez você reconheça que o Exemplo 1 traz não só um julgamento sobre a situação como também mostra uma atitude que condena a outra pessoa. Assim, não há oportunidade para desenvolver o diálogo.

 

Já o Exemplo 2, descreve um comportamento de forma objetiva, e logo em seguida compartilha o impacto subjetivo desse comportamento. A pessoa que iniciou o diálogo tem até uma sugestão prática de como proceder a partir dali.
Os pensamentos e sentimentos de cada pessoa são diferentes. Quanto mais e melhor cada parte envolvida em um conflito consegue comunicar o que está se passando por dentro, assim como admitir, entender e demonstrar cuidado com as emoções e pensamentos do outro, maior a chance do desentendimento acabar bem.

 

Considerações finais

Conflitos são raramente fáceis, mas, com dedicação e com a graça do Espírito Santo, podem fazem bem. Se você ainda não consegue passar por conflitos de forma saudável, não desista. O Senhor nunca nos chama para fazer algo sem nos capacitar também. Continue aprendendo, praticando e dependendo dEle.

 

Recursos

Aqui estão listados alguns dos recursos que mais moldaram nosso entendimento e nossas práticas em relação a conflitos. Nem todos foram escritos de uma perspectiva cristã ou mesmo por pessoas cristãs, mas a grande maioria deles se não todos — apresentam recomendações que estão de acordo com princípios bíblicos.

 

Livros:
A Bíblia – Nós recomendamos especialmente 1 Coríntios 13, Colossenses 3, Efésios 4 e Filipenses 4.

 

O Pacificador, de Ken Sande – Esse livro sobre conciliação numa perspectiva bíblica inclui tanto uma análise profunda dos princípios relacionados ao tema quanto questões práticas para ajudar o leitor a compreender conflitos.

 

Inteligência Emocional, de Travis Bradberry – Um livro de fácil leitura que mostra diferentes estratégias para lidar uns com os outros de forma mais observadora e frutífera.


  

Aplicativos:
Lasting, disponível em inglês – Esse aplicativo de aconselhamento para casais busca oferecer pesquisas sobre relacionamento e um lugar seguro para crescer à dois. Nós usamos o aplicativo por um ano e percebemos como ele oferece material para boas e novas conversas. Você pode seguir o Lasting pelo Facebook para conhecer que tipo de conselhos eles compartilham.

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1 Citado por Brene Brown. 
2 Postagem da página Lasting no Facebook em 28/01/2020.

 

 

 

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